English

Destaques

Destaques

13|11|2009 - 10h30Base sólida

Crédito: Marcos Riboli.
Coordenador do Programa de Sustentabilidade do CTBE Manoel Regis L. V. Leal
Coordenador do Programa de Sustentabilidade do CTBE Manoel Regis L. V. Leal.

CTBE destaca em Workshop que Brasil precisa gerar dados experimentais para afirmar que etanol de cana é sustentável*.

Tão logo os governos começaram a se preocupar com as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e as mudanças climáticas globais, o etanol de cana-de-açúcar se mostrou um bom candidato para substituir parcialmente a gasolina e outros derivados do petróleo. Entretanto, antes de se pensar em exportar esse combustível em larga escala, diversas dúvidas foram levantadas no cenário internacional a respeito da real sustentabilidade do etanol brasileiro.

Na tentativa de responder a tais questionamentos, o Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) apresentou nos dias 11 e 12 seu programa de pesquisa em sustentabilidade no 2nd Workshop on the Impact of New Technologies on the Sustainability of the Sugarcane/Bioethanol Production Cycle.

No evento, realizado em Campinas-SP, foi concluído que é preciso produzir dados experimentais que abasteçam os modelos matemáticos existentes e gerem números que representem a realidade de forma adequada.

Segundo o diretor do Programa de Sustentabilidade do CTBE, Arnaldo Walter, uma das principais dificuldades para o atingimento dessa meta reside na avaliação do quanto a mudança no uso da terra influencia no balanço final de emissões de GEE da cadeia produtiva do bioetanol.

“Quando uma cultura agrícola como a cana-de-açúcar substitui uma área de pastagem ou de floresta nativa há uma mudança no estoque de carbono existente naquela região. Em alguns casos, o carbono que residia na árvore, por exemplo, transforma-se em dióxido de carbono, elevando as emissões de GEE”, explicou.

Para que o uso do etanol em escala global seja incentivado, Walter afirma que é preciso realizar estudos que demonstrem quais são as reais alterações no estoque de carbono no solo ocorridas quando a cana-de-açúcar ocupa diferentes tipos de solos em regiões diversas.

Atualmente, esses dados podem ser produzidos com o auxílio de imagens geradas por satélite, semelhantes às que mostram o desmatamento na floresta amazônica.

Uma das palestras realizadas no workshop do CTBE mostrou como funciona o sistema Canasat do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que capta imagens sobre a expansão da cana na região Centro-Sul do Brasil desde 2005 (no Estado de São Paulo desde 2003).

Thelma Krug, pesquisadora do Inpe, destacou que técnicas de sensoriamento remoto conseguem identificar com boa confiabilidade a localização das mudanças no uso da terra, além de entender que tipo de solo e bioma foi convertido em canavial.

“O Canasat também contribui para a formulação de políticas públicas nessa área, pois permite a identificação das regiões em que a cana é colhida crua ou queimada”, disse.

Dados confiáveis

Uma vez que se conheça qual a real alteração no nível de emissões causada pela expansão da cultura agrícola da cana-açúcar, é preciso equalizar as metodologias usadas em diferentes países para que seja possível comparar o volume de emissões de biocombustíveis diversos.

Essa foi a conclusão a que cientistas brasileiros, norte-americanos e argentinos chegaram em workshop realizado em agosto pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), disse Marcos Buckeridge, membro da coordenação do programa e diretor científico do CTBE.

“Não podemos criar modelos de emissões de gases de efeito estufa usando apenas os dados que já temos disponíveis. É preciso utilizar ciência sofisticada para gerar dados confiáveis aos modelos para aí sentarmos novamente com os norte-americanos e equalizar nossos sistemas de medições”, afirmou.

Além do projeto sobre emissões de gases de efeito estufa, o Programa em Sustentabilidade do CTBE desenvolverá atividades na área de uso de recursos hídricos, balanço energético de biocombustíveis e impactos socioeconômicos causados pela produção de etanol.

* CTBE para a Agência Fapesp


Destaques relacionados

Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

Integra o Centro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) | Campinas-SP
Telefone: +55 (19) 3512-1010 | Fax: +55 (19) 3518-3104