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Os processos anteriores à chegada da cana colhida na usina respondem por 70% dos custos de produção do etanol de cana-de-açúcar. Sendo o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) um laboratório nacional que visa contribuir para a manutenção da liderança brasileira na produção desse combustível, os entraves agrícolas precisam fazer parte da sua agenda de pesquisa. Agenda essa que tem produtores, indústria agrícola e academia inseridos na procura por inovações e aprimoramentos tecnológicos que foquem a competitividade e a sustentabilidade do setor canavieiro.
Pensando nisso é que está sendo implementado o programa de Mecanização de baixo impacto para o plantio direto de cana-de-açúcar. A proposta desse projeto se apóia em três pilares: viabilização do sistema de plantio direto (com controle de tráfego) nos canaviais, agricultura de precisão e tecnologia da informação (TI). O objetivo dos pesquisadores dessa área do Laboratório é criar um modelo de plantio e colheita sustentável de cana que reduza custos e conserve solo e água, com um melhor aproveitamento da palha.
A primeira iniciativa do CTBE nesse sentido é o desenvolvimento de uma Estrutura de Tráfego Controlado (ETC), ferramenta fundamental para que o plantio direto pleno (sem revolvimento de terra) seja praticado. Tal maquinário realizará todos os processos envolvidos entre o plantio e a colheita da cana, com um contato mínimo deste com o terreno cultivado. É que as rodas do equipamento percorrem trilhas permanentes (espaçadas 12m umas das outras), previamente definidas e georreferenciadas. Isso diminui o tráfego de implementos agrícolas nos canaviais de 60% (mecanização atual) para menos de 10% da área plantada.
Outra vantagem do sistema de plantio direto, promovido pela Mecanização de baixo impacto (MBI) do Laboratório, é a preservação da cobertura vegetal sobre o solo após a colheita da cana (sem queima prévia). Tal condição deve possibilitar ganhos de produtividade e aumento da longevidade do canavial graças ao melhoramento da estrutura física e das propriedades bioquímicas do solo. Redução das perdas de nutrientes e da água armazenada no solo também devem ocorrer com o uso desse sistema.
Tão logo a ETC comece a operar, a equipe do CTBE e seus parceiros passarão a analisar os impactos agronômicos da MBI na planta e no solo em termos de: produtividade, longevidade, pragas, doenças, adubação, ervas daninhas, perdas de solo, conservação de umidade e outros indicadores contemplados nos ensaios de variedades. Isso ocorrerá dentro do esquema de agricultura de precisão, com auxílio da TI. Nas mãos dos produtores esses dados servirão para identificar possíveis otimizações de processos que levem à redução de custos e ao aumento da produtividade, dentro de um horizonte mais sustentável que o obtido no cenário tecnológico atual.
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Projeto conceitual da estrutura de tráfego controlado (ETC) do CTBE.
Arte: Douglas Frabetti
Animações da ETC em funcionamento:
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Rotina completa de operação (colhendo duas linhas de plantio por vez)
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Giro sobre eixo central com foco na movimentação das rodas
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Operação de descarregamento