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21|09|2009 - 11h12Ranking da poluição

Apesar de tardia, é boa a iniciativa do governo federal de classificar os automóveis pelos poluentes que emitem. Fonte: Editorial da Folha

O Ministério do Meio Ambiente dá alguma contribuição para conscientizar o consumidor ao lançar a lista de automóveis segundo a poluição que emitem. É direito básico do comprador ter informação completa e correta sobre os produtos. À parte isso, a previsível preferência por modelos menos poluentes trará benefício para a saúde de toda a população.

O efeito educativo do ranking se evidencia também pela surpresa da inclusão de alguns modelos a álcool entre os campeões de emissão. Serve para alertar o consumidor de que o combustível derivado da cana não representa garantia plena de menor poluição em sentido estrito (produção de compostos de causam dano à saúde). Isso depende também da eficiência do motor e dos conversores catalíticos que equipam veículos, entre outras características técnicas.

A relação compilada pelo Ibama atribui a cada modelo de veículo uma "nota verde", ponderação de valores medidos para três poluentes: monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Outros compostos ficaram de fora, como dióxido de carbono (CO2), enxofre, material particulado e aldeídos. Dependendo dos parâmetros considerados, o balanço será mais favorável ao álcool, ou menos.

De toda maneira, no quesito CO2 a vantagem do álcool salta na frente. Como é produzido da cana, planta que absorve CO2 da atmosfera para crescer, pode ser considerado combustível "limpo", do ponto de vista do aquecimento global. A quantidade de CO2 saída do escapamento alimenta a fotossíntese pelo vegetal, que o converte em biomassa.

É incorreto concluir, porém, que a reabsorção seja completa. O cultivo da cana e a produção do álcool consomem energia e insumos que também geram emissões -cerca de 10% do total ficam como saldo poluidor. Mesmo assim, é incontestável a vantagem diante da gasolina, um combustível "fóssil", cuja queima lança ao ar 100% de carbono estocado há milhões de anos nas profundezas da Terra.

É espantoso que o governo brasileiro tenha demorado tanto para produzir e divulgar esse tipo essencial de informação ao consumidor -que já surge, paradoxalmente, defasada. O ranking inclui apenas veículos fabricados em 2008 e enfrenta algumas objeções metodológicas.

Em outubro ou novembro estarão disponíveis informações sobre modelos 2009, mais úteis para quem for adquirir veículos novos. Além disso, há dúvidas sobre a robustez estatística das notas, calculadas a partir de informações de testes realizados pelos próprios fabricantes com 0,2% dos veículos produzidos.

A iniciativa de transparência, de todo modo, é bem-vinda, embora não livre o governo de crítica pela passividade ao lidar com as montadoras nesse tema. Desperdiçou, vale lembrar, a oportunidade de usar a redução recente do IPI para obter das empresas a antecipação dos novos e mais restritivos padrões de poluição veicular. Eles só vigorarão em 2014, e ainda assim atrasados em relação à tecnologia de carros aqui mesmo fabricados e exportados para a Europa.


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