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28|10|2009 - 10h10No futuro, cana produzirá álcool, hidrogênio, água e remédio

Para CTC etanol celulósico não é mais desafio. A meta agora é produzir outros combustíveis a partir da cana. Fonte: Diário de MS.

A indústria da cana-de-açúcar do futuro irá muito além da produção de etanol, açúcar e energia como ocorre hoje. Da planta serão extraídos produtos como o hidrogênio, o combustível do futuro, o gás, a gasolina, carvão, o diesel, alimentos e até remédios. As perspectivas da usina do futuro foram apresentadas ontem de manhã no auditório do Hotel Bahamas, em Dourados, pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), Tadeu Andrade. O CTC apresentou mais duas variedades de cana, a CTC 19 e CTC 20.

De acordo com Andrade, a produção do etanol a partir da biomassa, ou seja, do bagaço da cana, não é mais um desafio. O CTC já tem uma planta piloto para isto, restando agora o emprego comercial. "O desafio agora é a gaseificação do bagaço da cana", diz. Neste processo é possível produzir seis tipos de energia: o etanol, a gasolina, o diesel, carvão, o hidrogênio e a própria energia elétrica. "Se usássemos todo o bagaço produzido hoje poderíamos atender a 30% da demanda de energia", explica.

Além disso, há a palha da cana a se aproveitar. Segundo Andrade, o CTC já desenvolve pesquisas neste sentido. Hoje, a maioria da palha é desperdiçada com a prática das queimadas, ambientalmente inadequada. Mas para isto existe todo um processo. Não se sabe ao certo como se fará o enleiramento no campo, o enfardamento, o transporte e o processamento na usina. "É um processo diferente que talvez faça parte da indústria do futuro", diz.

A indústria do futuro terá de estar preparada também para transformar a cana energia. Essa cana, segundo Andrade, é a planta geneticamente adaptada ou modificada para a produção de fibras. "Está se trabalhando para se chegar à cana 2.0 para produzir fibras", ressalta. Mas, segundo ele, para extrair a energia dessa planta será preciso uma nova indústria. "Estamos falando de uma opção nova para o agronegócio, que exigirá uma indústria nova. É uma cana dura que a indústria de hoje não consegue processar", lembra.

Esses novos produtos, de acordo com Andrade, já estão em planejamento no CTC. O desafio, segundo o pesquisador, é fazer os cruzamentos com marcadores moleculares. Essa tecnologia permitirá o desenvolvimento de variedades específicas para cada região, para aplicações específicas, resistentes a doenças e até resistente à seca. Neste contexto estão as variedades BT (geneticamente modificadas). "Lá na frente teremos variedades de múltiplos genes", afirma. É a biotecnologia e para o desenvolvimento dessa área o CTC firmou parceria com Dow Agrociense.

A tecnologia também permitirá a resistência à doenças, segundo o pesquisador. Ele lembra que a ferrugem laranja já está na América Central e pode chegar ao Brasil. Além disso, outras doenças que hoje atacam a cana podem ser eliminadas com a criação de plantas resistentes. "Os marcadores moleculares ajudarão na criação destas variedades", afirma.

Andrade falou ainda sobre o aproveitamento da vinhaça, liquido resultante da moagem da cana, muito criticado pelos ecologistas por ser altamente poluente. Com o processo de concentração da vinhaça, segundo Andrade, é possível produzir fertilizantes, energia elétrica, e biogás (gás natural). O pesquisador ressalta ainda que no processo é possível fazer a separação da água. Num mundo em que há grande preocupação com a economia de água, será possível reaproveitar parte da água usada no processo industrial. Além de ser reaproveitada na usina, essa água poderá inclusive ser potável, segundo Andrade. A extração do etanol da biomassa (etanol de segunda geração) também gera a produção de vinhaça, da qual se extrai novamente os produtos já citados.

A usina do futuro, segundo Andrade, produzirá uma gama enorme de produtos. A levedura extraída da cana pode ser usada na alimentação humana e animal. Do etanol se extrai o biodiesel, compostos alcooquimícos, a serem usados na indústria farmacêutica e o hidrogênio. O hidrogênio é o combustível do futuro. Cientistas acreditam que não existirão mais postos de combustível como os existentes hoje. Dos combustíveis tradicionais serão extraídas as células de hidrogênio, que abastecerão os veículos.

Do açúcar, além dos biocombustíveis e do diesel, serão extraídos biopolímeros e medicamentos. Já da biomassa, segundo Andrade, será usada também, além das aplicações atuais, para a extração de hidrólise e lignina. A lignina, segundo o pesquisador poderá ser vendida como carvão vegetal ecológico. Com o processo de gaseificação será possível extrair polímeros, gás natural e até gasolina.


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