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15|07|2010 - 09h28Etanol é o caminho

Aposta na bioeletricidade não deve ser para já, alertam especialistas; álcool de cana é fundamental. Fonte: Gazeta de Piracicaba

Presença mais comentada do primeiro dia da oitava edição do Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), que segue até amanhã (16), no Engenho Central, o secretário estadual de Desenvolvimento, Luciano Tavares de Almeida voltou a ser notícia ontem (14).

A declaração dada a jornalistas, na abertura do evento, de que o futuro está na energia, e não tanto nos combustíveis líquidos (etanol, gasolina, entre outros), foi totalmente rechaçada. O futuro, segundo opiniões, em uníssono, é mesmo o etanol.

Segundo Luiz Alberto Mirara, diretor de eventos da Sociedade dos Engenheiros de Mobilidade do Brasil (SAE), regional Piracicaba/São Carlos, e o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, pensar em carro elétrico, no País, é uma bobagem, pelo menos nesse momento, ou a curto e médio prazos.

“Entendo que temos de fomentar os combustíveis líquidos, característicos da nossa região. Somos, e Piracicaba está neste contexto, sem dúvida, fontes de inspiração para novas gerações do etanol. O Brasil não deve ser míope. Claro que não podemos fechar os olhos para o petróleo extraído a partir do pré-sal. Porém, investir em carro elétrico e deixar um pouco de lado o etanol pode ser desastroso’, disse Mirara.

Sertanejo

‘Penso em carros elétricos apenas circulando em capitais. Imagine um veículo desse tipo no sertão. Impossível’, dispara. Jank concorda. ‘Carro elétrico pode ser um complemento, não a primeira opção’, diz.

Anteontem, Luciano de Almeida disse que, em contato com líderes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), soube que, até 2020, 5% de toda a frota europeia será de carros elétricos.

Apoio

Luiz Mirara, em contrapartida, coloca outros dados na mesa. “Até 2015, 80% dos carros que rodarão no País serão flex e 1%, tetrafuel (aptos a quatro combustíveis)”, pondera.

A chave do sucesso do etanol, de acordo com Mirara, é a colaboração urgente e robusta do governo.

“Os números que passei podem mudar a qualquer momento se não houver o entendimento de que o etanol é estratégico e possível. Se os usineiros perceberem que é mais rentável investir em açúcar, e não mais em álcool, justamente pela ausência de benefícios, vão migrar mesmo e deixar o etanol de lado. Temo pelo o que poderia ser o fim da segunda fase do Proálcool”, sintetiza. Ainda assim, não há motivo para pânico.

“Pondo ordem na casa, há espaço para tudo, inclusive para carros elétricos, no futuro, mas não no Brasil, num espaço tão curto de tempo”, ressalta.


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