A cana-de-açúcar cada vez mais ganha o status de “ouro verde” e é vista como fundamental para o desenvolvimento de produtos sustentáveis. Com a produção do açúcar, do etanol e de energia, são geradas receitas anuais de R$ 60 bilhões. O setor emprega mais de 1 milhão de pessoas no País. Mas, muito além dos principais produtos que hoje são extraídos da planta, há uma cadeia formada por empresas e institutos de pesquisa que desenvolvem materiais e tecnologias que vêm revolucionando o uso da cana como matériaprima para diversos segmentos produtivos.
A região de Campinas concentra empresas e institutos que estão criando uma gama de tecnologias e bens com foco na cana-de-açúcar. Especialistas veem potencialidades na região para desenvolver projetos que auxiliem desde a produção da planta até inovações que permitam utilizá- la como insumo para a elaboração de produtos como bioquerosene e etanol de segunda geração e na indústria química. No mercado, já existem produtos que usam a cana para a elaboração, por exemplo, de solventes e do bioplástico.
O diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, afirma que a planta tem um potencial imenso de ser matéria-prima de vários produtos. Ele aponta que a produção deste ano está estimada em 600 milhões de toneladas de cana. “Hoje, a produção se concentra em açúcar, etanol e energia elétrica. No caso do açúcar, 70% são exportados e 30% são consumidos no mercado interno. No álcool, a situação é a inversa. O mercado doméstico fica com 95% do que é produzido e outros 5% são vendidos para fora do País. O etanol ainda não é considerado uma commoditie”, explica.
Ele destaca que há vários projetos para a utilização da cana em inúmeros produtos. “Em São Paulo, 50 ônibus devem começar a circular com etanol. O combustível é usado em turbinas na cogeração de energia. Com o caldo de cana, há muitas pesquisas para a fabricação de materiais da alcoolquímica”, diz. Rodrigues salienta que da palha e do bagaço da planta estudase a elaboração de etanol de segunda geração e outros materiais. “Muitos dos estudos ainda estão em desenvolvimento ou a tecnologia não está em estágio de escala comercial. Há uma atratividade muito grande do mercado para os vários usos da cana”, observa.