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29|04|2011 - 11h44Produtores defendem os benefícios do etanol

Setor considera o combustível como sua maior contribuição

Correio Popular em 29/04/2011

Luiz Fernando do Amaral, gerente de sustentabilidade da Unica, diz que o estudo vem comprovar o que muitos estudiosos da cana-de-açúcar já sabiam. “A gente sabia que a cana, comparada com outras culturas, reflete mais a luz do sol e transpira, reduzindo a temperatura da região onde está plantada”, conta. Ele explica que a energia do sol bate e volta, e não é absorvida pela cana. “Quando faz a fotossíntese, a cana transpira mais que as outras plantas e acaba umidificando o ar, reduzindo a temperatura na região em 0,9ºC”, conta.

Nas discussões sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), diz Amaral, uma das metas é o estabelecimento do limite máximo de aumento de temperatura de 2 graus. “Se conseguimos reduzir 1ºC, já estamos no lucro.”

Ele diz que a maior contribuição da cana para o ambiente é a redução das emissões proporcionada pelo etanol. “O etanol produzido da cana reduz emissões de dióxido de carbono (CO2) em até 90% se usado em substituição à gasolina. Essa redução impacta o mundo inteiro.”

O Brasil é o segundo maior consumidor de etanol do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, que usam o etanol produzido do milho. “Um estudo feito pela Unicamp em conjunto com a USP em nível nacional mostrou que as emissões de gases do efeito estufa decorrentes do transporte e eletricidade teriam sido 22% maiores se não usássemos o etanol.”

Segundo Amaral, o mesmo estudo mostra que até 2020, o uso do biocombustível irá colaborar para reduzir 43% dos gases em todo País. “Esse estudo de Stanford mostra que, além desses benefícios, a cana também proporciona a redução da temperatura nos canaviais”, explica.
Segundo o gerente da Unica, a palha da cana também combate o aquecimento global, pois aumenta os estoques de carbono no solo. “O solo fica mais rico em carbono, que fica estocado e reduz carbono na atmosfera, contribuindo para reduzir a temperatura”,diz.

Pesquisadores do Programa de Sustentabilidade do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol dizem que o estudo é relevante e usou dados contabilizados por institutos nacionais.

O pesquisador Marcelo Valadares Galdos diz que a pesquisa é importante porque tem abordagem nacional e avalia o impacto no clima local. “Ele usa dados gerados por programas brasileiros, como do INPE e da Universidade Federal de Goiás, para avaliar o impacto no clima local da expansão da cana-de-açúcar nos últimos anos. A metodologia foi bastante sofisticada e a qualidade dos dados é grande”, diz.

Arnaldo Walter, diretor do Programa de Sustentabilidade, diz que existe muito desconhecimento científico sobre o impacto das mudanças do uso do solo nas alterações climáticas num país como o Brasil. “É uma grande contribuição no sentido de trabalhar com dados reais para fazer uma avaliação adequada dos impactos da mudança do uso do solo”, opina.

Os cientistas dizem que o impacto dessa redução de temperatura no meio ambiente ainda precisa ser estudado. “Essa alteração de temperatura reflete a mudança no microclima. Mas, para saber se essas mudanças são positivas ou negativas, e em que escala, ainda tem que haver avaliações em novos estudos”, conta Walter.

O pesquisador do CTBE conta que a pesquisa enfatiza que é bem melhor avançar com a cana-de-açúcar em áreas já cultivadas ou de pasto, que em áreas nativas. “Isso é o que está acontecendo no Brasil e tem um impacto benéfico direto e indireto no clima”, diz.


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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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