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26|11|2010 - 17h10Cadeia produtiva sucroenergética pronta para alavancar o novo governo

Novo ciclo de fortalecimento e a consolidação. Fonte: Brasil@gro

No próximo dia 1º de janeiro, quando Lula transferir a faixa presidencial para Dilma Rousseff, se iniciará um novo ciclo não apenas no comando do Palácio do Planalto, mas também para o fortalecimento e a consolidação da cadeia produtiva sucroenergética. De triste memória, a era FHC que provocou grandes e inesquecíveis prejuízos ao setor, agora de fato e de direito, é coisa do passado. Menos mal!

Desnecessário destacar as mudanças que o presidente Lula implementou ao setor em seus dois mandatos. Ele criou a Embrapa Agroenergia e a Petrobras Biocombustíveis. Também em seu governo a alcoolquímica se viabilizou com a Braskem liderando este novo processo ao inaugurar, no último mês de setembro, em Triunfo no Rio Grande do Sul, a primeira planta industrial de plástico que utiliza como matéria-prima o etanol de cana-de-açúcar.

Lula também foi apelidado de “mascate do etanol” e em todas as viagens que empreendeu ao exterior fez questão de falar e defender os biocombustíveis. Hoje usinas com tecnologia 100% “verde-amarela” estão sendo implantadas no continente africano e também na América Latina, consolidando assim a inserção da indústria brasileira de bens de capital, máquinas e implementos, insumos, serviços e tecnologia no mercado internacional.

Biodeisel

Em dezembro de 2004 Lula oficializou o Programa de Produção e Uso do Biodiesel que, apesar dos percalços iniciais quando erroneamente alguns incautos ligados aos ministérios do Desenvolvimento Agrário, Minas e Energia e Petrobras quiseram “inovar” e impor o uso da mamona como principal fonte de matéria-prima. Como o preço do óleo de mamona continua valendo cerca do do dobro do valor do preço obtido nos leilões da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o “sonho acabou” rapidamente e a soja é hoje o principal insumo para o nosso biodiesel.

Em apenas seis anos o Brasil se tornou o segundo maior produtor e o segundo maior consumidor de biodiesel do mundo. Neste momento a mistura é de 5%, devendo chegar a 10% em 2014 e 20% em 2010.

Para atender a este mercado, os investimentos em aumento de capacidade de produção de Biodiesel devem somar R$ 7,36 bilhões nos próximos dez anos, de acordo com as projeções da FGV Projetos. Com isso, a capacidade produtiva do setor deve sair dos atuais 5,1 milhões de metros cúbicos para 14,3 milhões de metros cúbicos até 2020.

Pesquisas

Não faltaram, destaque-se, recursos para investimentos em pesquisas. Em Campinas, o CTBE – Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol trabalha em ritmo frenético para que o Brasil assuma a dianteira na pesquisa de etanol de segunda geração, usando como matéria-prima bagaço de cana. No campus da Universidade Federal de Lavras (MG) estão sendo investidos mais de R$ 40 milhões para a construção do mais moderno laboratório de pesquisas de fontes de matérias-primas para a produção de biodiesel, com foco todo especial em microalgas.

O CTC – Centro de Tecnologia Canavieira também vem desenvolvendo pesquisas para aumentar ainda mais a produtividade agrícola e industrial da cadeia produtiva sucroenergética. Unicamp, Esalq/USP, Universidade Federal de São Carlos, Viçosa e Lavras também participam de projetos de pesquisa com o mesmo objetivo. Com efeito, são os próprios pesquisadores que reconhecem – e enaltecem! – que no governo Lula não faltaram recursos.

O IAC – Instituto Agronômico de Campinas, órgão ligado à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, vem desenvolvendo um bom trabalho com o desenvolvimento de novas variedades de cana. Ao mesmo tempo, empresas como a Basf, Monsanto, Syngenta e outras, incluindo-se aí o próprio CTC, estão avançando com projetos de produção de variedades de cana transgênicas que brevemente chegarão ao mercado em escala comercial, iniciando-se a partir daí, uma nova revolução em termos de produtividade e redução de custos.

Novos Desafios

Com efeito, há problemas a serem enfrentados e superados. As barreiras criadas pelos países desenvolvidos impedem, na prática, o acesso do nosso etanol aos seus mercados, mesmo com todas as suas vantagens. Detalhe: mesmo que se derrubassem estas barreiras nossas usinas não teriam capacidade de exportar pois o etanol produzido mal dá para atender a demanda do mercado interno.

A bioeletricidade é talvez o maior desafio para o setor que terá que se organizar ainda mais e, como cadeia produtiva, exercer um forte lobby em Brasilia onde nossos técnicos e autoridades gostam de falar bem da bioeletricidade mas liberam recursos e benefícios para os setores das hidrelétricas e até, pasmem, para a energia nuclear. O setor das eólicas consegue, obter benefícios, a custa da quebra da isonomia fiscal. Logo não há livre concorrência na produção da energia elétrica em nosso país.

Antes de chegar à Casa Civil do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff era a nossa ministra das Minas e Energia, setor que ela conhece muito bem. As lideranças do setor terão que fazer um trabalho bem articulado, usando o Congresso Nacional e, antes, mobilizando vereadores, prefeitos, deputados estaduais e governadores para tentar inserir, de fato e de direito, a bioeletricidade na matriz energética brasileira.

A formação, qualificação e requalificação da mão-de-obra é outro desafio gigantesco, em que pesem iniciativas tocadas pela Unica – União da Indústria da Cana-de-Açúcar e pela Udop – União dos Produtores de Bioenergia que, de grande importância, são tímidas e não resolvem sozinhas a demanda criada com a chegada de investidores estrangeiros ao setor.

A UniCeise – Universidade Corporativa do Setor Sucroenergética tem tudo para ser a grande instituição que pode fazer a diferença. Ela já nasce com um excelente DNA que é o INEPAD – Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração, dirigido pelo competente prof. dr. Alberto Borges Matias. O instituto reúne 215 professores doutores das mais renomadas universidades do Brasil e do mundo e vem usando moderna tecnologia de EAD (Ensino à Distância) para clientes como o Banco do Brasil e o Ministério da Justiça.

Linhas de financiamento especiais para a exportação de bens de capital, máquinas, equipamentos, insumos, serviços e tecnologia também preocupam aos empresários fornecedores destas usinas. O APLA – Arranjo Produtivo do Etanol deve deixar de ser exclusividade – até no nome! – de alguns poucos empresários e cumprir com o seu papel de ser uma entidade que represente, de fato e de direito, as indústrias brasileiras, já que conta com polpudos recursos da APEX, braço de incentivo e promoção às nossas exportações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Artigo de Ronaldo Knack, jornalista e bacharel em direito e administração de empresas. É também diretor e editor do BrasilAgro; Revista Visão da Agroindústria.


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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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