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27|01|2011 - 16h25Produtores europeus de etanol queixam-se dos EUA

Produtores europeus podem apresentar queixa comercial à União Europeia. Fonte: Revista Canavieiros

Os produtores europeus de etanol alertam que a extensão para 2011 do crédito fiscal americano para a produção do combustível, aprovada mês passado pelo Congresso como parte do pacote de US$ 858 bilhões em reduções de impostos, pode levá-los a apresentar uma queixa comercial perante a União Europeia.


Os produtores do continente fracassaram em suas tentativas de bloquear o crédito, mas a extensão só se aplica às vendas para compradores americanos e não às vendas para o exterior.


O crédito fiscal ajudou a impulsionar a produção americana de álcool para um novo recorde. Combinado à alta do açúcar no Brasil e à escassez de trigo na Europa, o crédito tornou o etanol americano, feito principalmente de milho, o mais barato no mercado europeu.


"Se as exportações continuarem crescendo e isso prejudicar a indústria europeia, seremos obrigados a adotar medidas judiciais", diz Rob Vierhout, secretário-geral do ePure, o grupo lobista que representa os usineiros europeus.


Os produtores americanos afirmam que o crescimento da produção deles não depende de créditos fiscais ou de brechas na legislação. "No momento, o preço do trigo está tão alto que simplesmente não dá para produzir um volume suficiente na Europa", diz Chet Perry, diretor-presidente da ITEC Refinining and Marketing Ltd., um produtor americano de etanol. "Essa é que a brecha, não o crédito fiscal."


Um porta-voz do comissário de Comércio da UE, Karel De Gucht, não quis comentar.


O etanol americano destinado à UE é vendido atualmente a US$ 561 o metro cúbico, incluindo o crédito fiscal, no Porto de Houston, comparado a US$ 705 em Roterdã, na Holanda, e US$ 770 no Porto de Santos. Esses três portos são os principais locais onde se negocia o preço do etanol, dizem operadores do mercado.


Uma queixa dos produtores europeus provavelmente seria um processo contra subsídios apresentado na Comissão Europeia, o braço executivo da UE, e que, se aceito, pode levar à imposição de novas tarifas. Vierhout viaja aos EUA mês que vem para tentar fechar um acordo com as autoridades americanas.


O etanol pode ser transportado com vários códigos tarifários, então é difícil compilar dados oficiais. Mas os carregamentos dos EUA para a UE de um tipo de etanol aumentaram de 4.071 toneladas nos primeiros nove meses de 2009 para 26.079 toneladas no mesmo período de 2010, segundo a firma de dados Global Trade Information Services, de Genebra.


"Prevemos que o etanol americano continuará chegando à Europa até não fazer mais sentido economicamente", diz Kevin McGeeney, diretor-presidente da Starsupply Renewables SA, uma corretora suíça especializada em fontes renováveis de energia.


Enquanto cresce a dependência americana do petróleo importado, as exportações do país de outras formas de combustível estão aumentando. Em geral, as exportações de etanol aumentaram para 988,3 milhões de litros nos primeiros nove meses de 2010, ante 326,6 milhões no mesmo período de 2009, principalmente por causa do crédito fiscal, segundo os operadores. Isso significa que as exportações americanas de etanol aumentaram de US$ 228,6 milhões para US$ 691,8 milhões no período citado. Os maiores carregamentos seguiram para o Brasil, a Índia e os Emirados Árabes Unidos, entreposto das remessas para o Oriente Médio.


A UE, cuja maioria dos carros consome diesel, tem usado o biodiesel para cumprir a meta das lideranças da região, que prometeram usar fontes renováveis em 10% do consumo de combustível dos automóveis até 2020. O biodiesel, cujo mercado na Europa é de cerca de US$ 10 bilhões por ano, é feito de produtos alimentícios como trigo, colza e óleo de palma. Em 2009, a UE impôs tarifas tarifas antidumping para a produção de biodiesel dos EUA, sob o argumento de que ele estava sendo produzido abaixo do preço graças a créditos tributários e outros incentivos. Os incentivos tributários para o biodesel e o etanol são justificados pela meta de Washington de aumentar para 7% a parcela do consumo automotivo de combustível vindo de fontes renováveis até 2020.


Desde 1978 que as refinarias americanas que adicionam etanol à gasolina recebem um crédito tributário de US$ 0,45 por galão (3,8 litros), um programa que custou cerca de US$ 5 bilhões ano passado. Dezessete senadores assinaram uma carta mês passado pedindo a extinção do crédito. Mas o mesmo continua desfrutando de sólido apoio do lobby agrícola e alcooleiro dos EUA, porque é lucrativo para os produtores rurais.


O álcool combustível tem um mercado muito menor que o do biodiesel na UE, avaliado em US$ 2 bilhões por ano, mas está crescendo. A demanda total em 2010 é calculada em 4,7 bilhões de litros e deve chegar a 12,3 bilhões de litros em 2020.


A demanda na Europa é atendida tradicionalmente com o açúcar de beterraba produzido domesticamente, com a cana deaçúcar brasileira e com o trigo da Rússia e do Cazaquistão. Mas a alta da cotação mundial do açúcar e a escassez de trigo no meio do ano passado, causada parcialmente por uma seca no leste europeu, coibiram essas fontes.


O pessoal da indústria de biocombustíveis se diz acostumado a turbulências. "Neste negócio, a política sempre é o coringa do jogo", diz Marc Van Driessche, cuja empresa, a GreenDiesel Trading SA, importa etanol americano para a Antuérpia, suprindo gigantes europeus do petróleo como Total SA e BP PLC. "É muito difícil prever qualquer coisa em biocombustíveis. Você nunca sabe onde as coisas vão estar em três meses."

 

John W. Miller

 


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