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20|04|2009 - 16h19Instituto deve revolucionar produção de energia

Implantação e programas de pesquisa do CTBE são destaques na página principal do Portal Terra

Fonte: Portal Terra

Mesmo com toda a cautela que a ciência requer, é possível prever uma revolução num processo secular de produção de energia no País. O cultivo de cana, que se repete desde o império, deve mudar, aumentando a produtividade e reduzindo a agressão ao meio ambiente e a emissão de gases que provocam as mudanças climáticas. E a extração de álcool da biomassa da cana (palha e bagaço) poderá até triplicar a produção, embora números conservadores admitam um aumento de pelo menos 40%. "Trata-se de um novo paradigma", diz o diretor do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Marco Aurélio Lima, referindo-se à possibilidade de adotar o plantio direto da cana, como já ocorre em outras culturas.

O CTBE ainda está em construção em espaço do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), no Pólo Ciatec II de Campinas (SP), mas um grupo de 20 pesquisadores trabalha ativamente na montagem dos três projetos básicos do centro: a instalação de uma planta semiindustrial de hidrólise enzimática (processo que utiliza água e enzimas para obter etanol de celulose de qualquer fonte vegetal, especialmente resíduos agrícolas); o desenvolvimento de uma máquina de mecanização de baixo impacto que permitirá a implantação do plantio direto na cultura de cana, a exemplo do que se faz com soja e milho; e a busca de metodologias para analisar o impacto econômico, social e ambiental da implantação de novas tecnologias na cadeia produtiva da cana e do etanol.

"Nunca se investiu tanto no mundo", afirma Lima, numa alusão ao dinheiro empregado no desenvolvimento de energias renováveis a partir de biomassa, de resíduos florestais, milho, eucalipto ou a cana, para ele imbatível hoje na produção de etanol. Apenas nesta fase da construção do centro, que deve ficar pronto em setembro, o orçamento é de R$ 69 milhões até 2010. A planta piloto de produção de etanol de segunda geração deve começar a operar no início do próximo ano.

O pesquisador informa que o CTBE terá uma área na Usina da Pedra para analisar todos os experimentos do plantio direto da cana, que deve proporcionar um número maior de colheitas sem necessitar de recomposição do solo. Somente aí já haverá um importante ganho econômico e ambiental.

Em entrevista a Janaína Simões, da Inovação Unicamp, Lima disse que os pesquisadores do CTBE já atuam também com o setor privado e que ainda há muita ciência a ser feita para se resolver os gargalos da tecnologia de hidrólise e sobre como o conhecimento científico pode mudar a forma de plantar cana no Brasil. A técnica do plantio direto dispensa a limpeza do campo após a colheita, evitando que o solo seja compactado. Isso reduz os custos quando é hora de plantar a cana novamente.

"Hoje temos uma estratégia convencional de cultivo de cana, com um ciclo que começa e termina revolvendo e limpando toda a terra, o que promove a compactação e erosão. Nossa proposta é usar a experiência de culturas bastante vencedoras, como soja, milho, trigo, em que se faz o chamado plantio direto, cuja idéia é preservar o solo e evitar o pisoteio. Esse programa, aplicado à cana, exige estudar novas pragas, quanta água será retida no solo. Isso muda o paradigma, muda todo o sistema de tratores que se usa na cana. Esse é um dos papéis do centro. Estudar o assunto de forma a mostrar que é sustentável economicamente adotar o plantio direto em cana."

Lima destacou a participação da iniciativa privada em todos os processos. O centro convidou seis indústrias para um workshop, três nacionais, Dedini, Oxiteno e Usina da Pedra, e três multinacionais, Rhodia, Corn Products e Dow Chemical. "Notamos algo interessante: temos indústria que não está interessada no desenvolvimento do processo em si, mas em obter álcool mais barato. A Rhodia usa 120 milhões de litros de álcool por ano como matéria-prima para fabricar outros produtos. Certamente tem interesse em que essa tecnologia se torne mais barata e eficiente. É desse tipo de simbiose que estamos indo atrás, procurando parcerias com grupos interessados no sucesso da planta-piloto, mas que não necessariamente tenham interesse em ser proprietários do processo. A Dedini, por exemplo, sugeriu que haja um espaço na planta-piloto para ser utilizado pelas empresas para desenvolver processo", informou. De acordo com Lima, "se o Brasil quer exportar algo em torno de 200 bilhões de litros de etanol em 2025, ante os 5 bilhões exportados em 2008, para substituir 10% da gasolina usada no mundo, precisa entender o impacto das tecnologias necessárias para aumentar a produtividade e deve se preocupar em não afetar a sustentabilidade ambiental, econômica e social".

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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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