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10|06|2011 - 09h47Palha da cana ajuda diminuir efeito estufa

Manter palhada no solo após a colheita aumenta a fixação de carbono na terra. Fonte: Terra da Gente

Um modelo matemático denominado Century, desenvolvido no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, comprova: manter a palhada — restos da cana que ficam no solo após a colheita — aumenta significativamente a fixação de carbono na terra. O trabalho também confirma que a colheita mecanizada da cana-de-açúcar diminui a emissão de gás carbônico para a atmosfera, atenuando o efeito estufa.

Os dados para o estudo foram obtidos pelo pesquisador Marcelo Valadares Galdos, atualmente no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), de duas formas distintas. A primeira, por meio da coleta de amostras de solo em locais de colheita com queimada e de colheita mecanizada a partir da cronossequência (que consiste na retirada de amostras distintas do solo que possam demonstrar as diferenças ocasionadas pelo tempo). E, a segunda, por informações do Instituto de Pesquisa da Cana-de-açúcar da África do Sul sobre solos com até 60 anos consecutivos de colheita sem queima.

A partir disto, utilizando-se o modelo matemático, que foi desenvolvido pela Colorado State University (EUA) e adaptado para a análise de dados de solos de plantações de cana-de-açúcar, foi possível prever cenários futuros para estas regiões. Galdos explica que o procedimento dele e de outros pesquisadores foi “calibrar e validar um modelo computacional com dados de plantações da África do Sul e das cidades de Goiana (Pernambuco), Timbaúba (Pernambuco) e Pradópolis (São Paulo), para simular fluxos de carbono e nutrientes entre o solo, a planta e a atmosfera.” Na cidade paulista, por exemplo, a manutenção da palhada no solo aumentou a fixação de carbono em 1200 quilos por hectare por ano.

O professor Carlos Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, que também participou da pesquisa, diz que a quantidade de carbono que será fixada no solo depende do tipo de solo, do clima, do manejo da cultura, da forma da colheita, entre outros fatores.

“O solo argiloso, por exemplo, consegue fixar muito mais carbono do que o solo arenoso. Assim, como a fixação do carbono em lugares de climas frios é bem melhor do que em locais de climas quentes, onde a decomposição ocorre mais rapidamente”, conclui.

A colheita mecanizada propicia a manutenção da palhada sobre o solo. Galdos complementa que “durante o processo de decomposição desse material, parte do carbono fica incorporada ao solo. Esse processo é conhecido como ‘sequestro de carbono’. Sua importância reside no fato de representar uma diminuição significativa no resultado do cálculo do ‘carbon footprint’ do etanol”.


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