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09|07|2011 - 09h38Opinião: O uso estratégico do etanol

Maneira ambiental e socialmente mais correta de abastecer veículos. Fonte: Correio Popular

Vadson Bastos do Carmo

Muito se tem divulgado sobre quando se deve usar o etanol ou a gasolina como combustível e, nestas divulgações, são recomendadas apenas uma simples conta aritmética para a decisão sobre a escolha do combustível.

Isto mostra uma visão míope das questões que estão envolvidas neste contexto. Começamos pelo resgate da origem do etanol como combustível alternativo à gasolina. Desde a década de 70 que desenvolvemos o primeiro motor para veículos leves movidos a etanol. Tecnologia pioneira no mundo e que teve na cana-de-açúcar, o melhor aliado para obtenção de um custo de produção e logística competitivo com a gasolina derivada do petróleo.

Sendo uma alternativa mais limpa do que a gasolina, proporciona uma mitigação de gases do efeito estufa, que são os principais agentes provocadores do aquecimento global. A proporção é mais de 80% de mitigação com o uso do etanol em comparação com o uso da gasolina. É uma tecnologia inteiramente nacional, não necessitando de nenhuma etapa ou componente para o seu ciclo de produção: desde a plantação da cana até a produção das usinas e do próprio etanol, empregando trabalhadores brasileiros em todas as etapas da cadeia produtiva.

Desfruta da mesma rede de distribuição da gasolina, portanto não necessita de recursos adicionais para criação de novos pontos de vendas e comercialização.

O Brasil é o líder mundial na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, e segundo produtor mundial de etanol, perdendo apenas para os Estados Unidos, que produz etanol a partir do milho, sendo economicamente e ambientalmente mais desfavorável do que o etanol produzido a partir da cana-deaçúcar.

A cana-de-açúcar, como fonte de energia, é renovável e, em relação ao petróleo, que é fóssil, tem muitas vantagens comparativas. Entre elas, a sua capacidade de absorver CO2 no seu ciclo de produção através da fotossíntese durante o crescimento da cana.

Para cada usina, são necessários cerca de 150 trabalhadores fixos e mais de 1000 nos períodos do corte da cana, sendo um dos setores mais empregadores do nosso mercado.

Ao escolhermos a gasolina, estamos deixando de empregar diversos trabalhadores nacionais, estamos contribuindo para o aquecimento global e estamos utilizando um combustível fóssil que, em algum momento, acabará.

Atitudes como a do Sebrae- SP, que determinou que toda a sua frota de veículos deve ser abastecida por etanol, deveriam ser imitadas por outras empresas públicas, privadas e pelos cidadãos brasileiros.

Por isso, não é apenas uma simples conta que deverá nortear a nossa escolha, e sim um conjunto de fatores que somados proporcionam uma grande vantagem para a decisão em favor do etanol.

É claro que o fator econômico é também muito importante na hora da decisão, mas, na próxima vez que for abastecer o seu veículo, pense também de maneira estratégica, ambiental e socialmente mais correta, preferindo colocar etanol no seu veículo.

Vadson Bastos do Carmo é consultor sênior do Sebrae, mestre em Engenharia da Produção e Gerenciamento de Sistemas de informação, doutorado em Engenharia de Processos (Unicamp)


 


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