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05|07|2011 - 09h52CTC busca elevar escala de etanol celulósico

Jaime Finguerut, pesquisador do CTC, que trabalha no desenvolvimento do chamado etanol de segunda geração
Jaime Finguerut, pesquisador do CTC, que trabalha no desenvolvimento do chamado etanol de segunda geração.

Desafio atual é reduzir custo de produção. Fonte: Valor Econômico

Fabiana Batista

Um líquido escurecido, corpulento que muito se assemelha a uma rapadura derretida. Esse é o resultado do último estágio do processo de produção do etanol celulósico, cuja tecnologia, em escala-piloto, já é de domínio do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), um dos maiores institutos de pesquisa em cana-de-açúcar do mundo.

Agora, a produção do chamado etanol de segunda geração deve sair da escala experimental e partir finalmente para volumes maiores, diz o pesquisador do CTC Jaime Finguerut, idealizador do projeto. Para cumprir a empreitada em um espaço mais curto de tempo, o CTC busca captar R$ 250 milhões no BNDES em um pacote de pesquisas que envolve mais 20 projetos. Se conseguir o recurso, será a primeira captação do CTC desde que se tornou uma empresa, em janeiro.

Até essa fase da produção, a tecnologia do etanol de celulose está dominada, diz Tadeu Andrade, diretor de pesquisa do centro. O desafio agora é reduzir o custo de produção, dos atuais R$ 1,20 a R$ 1,30 por litro, para os mesmos patamares do etanol convencional, na casa dos R$ 0,90. "E partir para a escala industrial será decisivo no cumprimento dessa meta", diz Andrade. Se a engenharia do projeto começar neste ano, a montagem dos equipamentos em uma usina poderá ser feita em 2012 e o início da operação, em 2013.

O caldo escurecido descrito inicialmente, último estágio do processo de segunda geração, é chamado de "caldo hidrolisado", e é ele que vai ser misturado ao caldo de cana de uma usina convencional, explica Finguerut, idealizador do projeto de etanol celulósico desde a década de 80. Basicamente, esse caldo hidrolisado é resultado de dois processos aparentemente simples.

O primeiro é a "explosão" do bagaço de cana para que a celulose "escondida" fique exposta, semelhante ao que ocorre quando estouramos pipoca na panela, compara Andrade, que mostra o projeto junto com Finguerut. Esse processo ocorre dentro de uma espécie de panela de pressão, onde temperatura e pressão específicas, mantidas sob segredo, fazem a celulose emergir do bagaço.

O segundo processo consiste em colocar essa celulose (um farelo escuro de cheiro adocicado) dentro de um misturador. Essa máquina cria ambiente propício para que as enzimas, então adicionadas, quebrem a celulose revelando os açúcares contidos no bagaço.

Aqui encerra-se a fase "segunda geração". Para a produção do etanol, esse caldo escurecido só precisa ser incorporado ao caldo convencional de cana-de-açúcar entrando assim no sistema tradicional de produção, já velho conhecido das usinas sucroalcooleiras do país. "Um dos diferenciais desse projeto, em comparação com o dos concorrentes, é que não precisamos construir uma outra usina de etanol (celulósico) ao lado de uma convencional já existente. Basta que integremos esses equipamentos da segunda geração", diz Finguerut.

A rota usada pelo CTC é que a utiliza enzimas para quebrar a celulose da fibra. A tecnologia é o mesma que outros centros de pesquisa no mundo estão aplicando, com algumas variações. O diferencial, diz Finguerut, está na qualidade das enzimas - o projeto é feito em parceria com a Novozymes, uma das maiores produtoras de enzimas do mundo. Outros diferenciais estão na temperatura e pressão usadas na exposição da celulose.

Confiante de que sairá na frente na briga pelo primeiro etanol celulósico economicamente viável, o CTC pleiteia 25% de uma linha de R$ 1 bilhão do BNDES, batizada de PAISS (Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico) em parceria com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O recurso é expressivo, já que o orçamento total do CTC neste ano é de R$ 80 milhões. "Conseguiremos acelerar os resultados com o financiamento", diz Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração do centro.

Outras 55 empresas concorrem com o CTC pelos recursos do PAISS, cuja seleção será feita até 17 de agosto, segundo o BNDES.

Para se tornar uma tecnologia "real", essa unidade de etanol celulósico projetada pelo CTC precisa ser acoplada a uma usina de etanol convencional já existente. A empreitada deve demandar R$ 50 milhões, orçamento já incluso na demanda entregue ao BNDES. Alguns grupos sucroalcooleiros se candidataram a receber a infraestrutura, mas o CTC ainda está definindo critérios de participação que deve, incluir, por exemplo, a aceitação de condições excepcionais, como parada da fábrica durante a safra para ajustes.

O pacote do CTC entregue ao PAISS engloba ainda pesquisas nas áreas agrícola e industrial. Entre elas está a pesquisa para ampliar dos atuais 12% a 14% para 30% a quantidade de fibra na cana por meio de biotecnologia. Ainda, na linha da 2ª geração, o CTC quer avançar em seu projeto de gaseificação, ou seja, produção de tudo o que se fabrica com petróleo a partir do gás da queima do bagaço.


 


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