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17|08|2011 - 14h08Floresta intercalada a canavial reduz emissões

Benefício se dá principalmente onde ainda são feitas queimadas após colheita. Fonte: Folha de S. Paulo

Sabine Righetti

O Brasil precisa ter áreas significativas de florestas ao redor das plantações de cana para ter mais eficiência no sequestro de carbono.

Essa é a conclusão de um grupo de cientistas liderado pelo biólogo da USP Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia.

Em artigo aprovado pela revista "Global Change Biology Bioenergy", ele e colegas afirmam que áreas florestais intercaladas com a cana, técnica batizada de "caminho de meio", reduziria o impacto da produção quanto às emissões de carbono.

Isso aconteceria principalmente onde ainda são feitas queimadas após a colheita.

Emissões

Hoje, 75% das emissões de carbono do Brasil vêm da atividade agropecuária. A cana consegue absorver cerca de 7,4 toneladas de carbono por hectare a cada ano.

Em média, estima-se que a plantação emita 800 kg de carbono a mais por ano do que é capaz de absorver, por causa das emissões do transporte e da queima.

As florestas absorvem 17 vezes mais: 140 toneladas ao ano. Essa taxa é ainda maior nas florestas mais novas (de até 30 anos de idade) e em fase de crescimento.

Os pesquisadores querem agora a área de floresta necessária para reduzir os impactos da produção. "Vamos levantar quantas florestas ainda existem na região dos canaviais do Estado de São Paulo para ver quanto mais teríamos de plantar", afirma Buckeridge.

Ele participou de um evento internacional patrocinado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre bioetanol, que vai até amanhã, em Campos do Jordão (SP).

O biólogo quer calcular quanto carbono é armazenado por esses fragmentos de floresta e analisar os benefícios que a presença de áreas florestadas podem trazer ao cultivo da cana-de-açúcar.

Esse trabalho será feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e deve ficar pronto em dois meses. "É uma pena não termos os dados antes da votação do Código Florestal [que tramita no Senado]."

O novo código prevê a redução de áreas florestais para aumentar atividade agropecuária em regiões como margens de rios.


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