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11|05|2009 - 17h19Etanol completa 30 anos nos postos com previsão de crescimento

Altos e baixos marcam a história deste biocombustível no Brasil. Ainda hoje as melhores oportunidades para o produto estão no mercado interno.

Fonte: G1

Foi em maio de 1979, quatro anos depois da criação do Proalcool, programa estatal de alternativa ao petróleo, que os 16 primeiros postos de combustível começaram a receber o álcool combustível.

Foi também há 30 anos que começaram a chegar ao mercado os primeiros carros que circulavam somente a álcool.

Atualmente, de acordo com a Petrobras Distribuidora, o álcool combustível está disponível em todo o país. Para Edimário Oliveira Machado, diretor de rede de postos da Petrobras Distribuidora, “o álcool é uma realidade irreversível, um combustível bom, que tem apelo ecológico”.

Para participantes do mercado sucroalcooleiro, os 30 anos do início da distribuição do álcool hidratado – o país também produz o anidro, que é misturado à gasolina – marcam também o fim da consolidação do produto na matriz energética brasileira.


Início

Depois de alguns anos de crescimento regular, a produção da "primeira fase" da produção do álcool combustível no Brasil atingiu o ápice em 1986, quando mais de 90% dos carros de passeio produzidos no país eram movidos a álcool.

Como o preço do petróleo caiu e o do açúcar subiu, a produção se desequilibrou, e o país, com uma extensa frota a álcool, enfrentou desabastecimento do combustível. Isso prejudicou a credibilidade do produto e fez com que o consumo sofresse uma forte retração.

Durante os anos 90, o índice de carros a álcool saindo das fábricas caiu para cerca de 1%, e a demanda por etanol no país passou a se resumir à frota antiga movida a álcool e ao combustível anidro, misturado à gasolina.


Retomada

Entretanto, desde 2003, com o advento do carro flex fuel – que pode circular com qualquer mistura de álcool e gasolina –, o mercado de etanol viu seu espaço crescer muito: hoje, mais de 80% dos veículos de passeio produzidos no Brasil são “flex”.

A produção de álcool combustível também deu um salto no país. De acordo com dados da Unica, entidade que reúne os produtores do setor sucroalcooleiro, a produção da safra 08/09 atingiu 14,3 bilhões de litros de álcool hidratado, contra 9,4 bilhões do ciclo anterior.

Até o ano passado, o produto viveu uma espécie de “febre”. O crescimento do etanol de cana de açúcar rendeu até uma visita do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, ao Brasil, em 2007.

Isso fez, de acordo com o diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, com que a oferta crescesse mais do que a demanda, graças ao interesse internacional pelo etanol e à alta do preço do petróleo, que chegou perto de US$ 150 em 2008.

Desde então, porém, a crise econômica reverteu essas duas expectativas. Por isso, diz ele, o crescimento da safra atual, em relação à do ano passado, será bem inferior, de cerca de 1 bilhão de litros do combustível.

Apesar disso, segundo a Unica, o país abrirá entre 20 e 24 usinas de produção de álcool e açúcar até o fim do ano. Atualmente, 400 unidades produtoras estão em funcionamento.


Desafios

Pelo menos por enquanto, portanto, a expectativa de conquistar o mundo com o etanol foi posta de lado com a crise econômica. “O mercado ainda é volátil. Mais de 50% das exportações (são) para o mercado americano, (que) tem excedente de produto neste momento”, ressalta Pádua.

O diretor da Unica admite que as grandes oportunidades para o produto ainda estão no mercado interno. Mas, como no momento como a demanda está completamente atendida, ele diz que as usinas, que estão preparadas para fabricar álcool e açúcar, devem migrar mais para o último por conta da alta do preço desta commodity no mercado internacional.

Com a redução da queima da cana, especialmente no estado de São Paulo, Pádua diz que o etanol poderá ganhar mais pontos no quesito “ecologia”, além de eliminar o subemprego do corte de cana na cadeia produtiva. Atualmente, de acordo a entidade, o setor sucroalcooleiro gera cerca de 800 mil postos de trabalho diretos.


Distribuição

O setor também vê melhorias na distribuição e fiscalização do produto. Para Edimário Oliveira Machado, da Petrobras Distribuidora, é preciso combater a sonegação de impostos na cadeia produtiva do combustível. Machado diz que a tributação poderia ser concentrada na produção de álcool, a exemplo do que é feito nas refinarias de gasolina.

Para Pádua, da Unica, o preço também poderia baixar para o consumidor caso alguns postos diminuíssem as margens de lucro sobre o produto. “Tem posto com margens superiores ao preço de venda do produtor. Tem posto com margem de R$ 0,65, e o produtor está entregando o produto (com preço) abaixo disso”, ressalta.


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