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06|09|2011 - 09h49Embrapa confere 'vigor' a pesquisas com cana

Crédito: Valor.
Arraes: “É fundamental que a Embrapa entre no setor de cana para não deixar as pesquisas na mão de multinacionais”
Arraes: “É fundamental que a Embrapa entre no setor de cana para não deixar as pesquisas na mão de multinacionais”.

Foco de estudos é aumentar produtividade da cultura e criar espécies mais resistentes para regiões que produzem pouco por problemas climáticos. Fonte: Valor Econômico

Por Tarso Veloso

A Embrapa dará continuidade, "com vigor", às pesquisas de melhoramento genético com cana-de-açúcar. O principal foco dos estudos é aumentar a produtividade da cultura e criar espécies mais resistentes para regiões que pouco produzem devido a problemas climáticos, como o Sul do Brasil. A preocupação do governo é aumentar a produção para evitar, no futuro, uma redução maior da oferta de etanol no mercado doméstico.

A determinação foi feita diretamente pelo novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB-RS), ao diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes, em reunião realizada na semana passada. A visibilidade sobre o setor aumentou ainda mais desde que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou, no início da semana, suas estimativas para a produção sucroalcooleira na safra 2011/12 no país. A previsão é que sejam colhidas 588,9 milhões de toneladas de cana, 5,6% a menos que o registrado na safra passada (623,9 milhões de toneladas).

"É fundamental que a Embrapa entre no setor de cana-de-açúcar para não deixar as pesquisas na mão de empresas multinacionais. Queremos ter certeza que não se criará um oligopólio", afirma o diretor-presidente da estatal, Pedro Arraes.

A grande parceira da Embrapa na empreitada é a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), formada por sete Universidades Federais e o Ministério da Educação e Desporto. A Ridesa tem procurado dar maior ênfase à manutenção e continuidade da pesquisa relacionada ao Programa de Melhoramento Genético da cana-de-açúcar.

Hoje, cerca de 190 pesquisadores trabalham diretamente com a commodity, de um total de 2.215 cientistas. Hoje, a Embrapa possui mais de 9 mil funcionários. O número de contratações subiu em ritmo acelerado nos últimos dois anos. Desde 2009, já foram efetivadas 2 mil pessoas, sendo 1,3 mil pesquisadores.

Uma das prioridades de pesquisa, que já está em andamento, é o aumento de absorção dos fertilizantes pela cana-de-açúcar. "Atualmente, estamos tentando fazer com que a planta consiga absorver mais os nutrientes, evitando desperdícios. Além disso, a Vale Fertilizantes é nossa parceira em uma pesquisa que criará um produto que ficará mais tempo preso à terra, não sendo levado na primeira chuva".

Apesar do contingenciamento de cerca de R$ 60 milhões neste ano determinada pelo governo, o orçamento da Embrapa em 2011 é de R$ 1,8 bilhão. O corte, apesar de pequeno, acaba fazendo falta, afirma Arraes. "Queremos desbloquear esse valor pois estamos com o cinto apertado neste final de ano", diz.

Além de melhorias genéticas, a Embrapa estuda métodos de aumento de produção com técnicas novas. Uma delas é a finalidade que será dada aos restos de palha das lavouras. A partir de 2014, as queimadas estarão proibidas no Estado de São Paulo. "Muitas pessoas criticam as queimadas por liberar dióxido de carbono na atmosfera, mas existem muitas vantagens para o solo no processo. Agora vamos estudar como dar um fim da palha e conseguir os mesmos benefícios sem utilizar o método de atear fogo", diz Arraes.

O aumento das pesquisas não está restrito à cana-de-açúcar. A Embrapa desenvolve atualmente 1.150 projetos. "A nossa produção está dispersa. Temos laboratórios em diversos continentes. Vamos criar um mecanismo de agregação de produção para controlarmos melhor todos os processos", explicou o executivo.

Os acordos de cooperação técnica, para transferência de conhecimento em outros países, segundo Arraes, estão colhendo frutos. "Estamos com um projeto na em Moçambique juntamente com o Japão. Os orientais instalaram a estrutura e nossos técnicos passam o conhecimento para o país africano", explica.
 


 


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