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05|01|2012 - 10h29Sem obstáculos

Crédito: CTBE.
Desenho 3D da Estrutura de Tráfego Controlado (ETC) do CTBE
Desenho 3D da Estrutura de Tráfego Controlado (ETC) do CTBE.

Com tecnologia inovadora, nova máquina para a lavoura de cana é capaz de realizar todas as operações mecanizadas do ciclo agronômico da planta

Anuário Brasileiro da Cana-de-açúcar em dezembro de 2011

No cenário atual, a cana-de-açúcar brasileira é colhida de forma mecanizada, com base em uma tecnologia desenvolvida há 50 anos na Austrália. Modernizar esse sistema é um dos fatores que motiva o desenvolvimento da máquina chamada Estrutura de Tráfego Controlado (ETC), em gestação no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas (SP). Vista como uma proposta inovadora para o plantio e a colheita, o equipamento tem como objetivo aumentar a produtividade, reduzir custos e permitir a colheita simultânea de cana e palha. Capaz de executar todas as operações mecanizadas do ciclo agronômico da cultura, o equipamento consegue atingir áreas íngremes que as colhedoras de hoje não alcançam.

Além disso, a ETC deve reduzir o tráfego na área plantada ao colher duas linhas por vez e, consequentemente, amenizar a compactação do solo, prejudicial para o crescimento das plantas nas safras seguintes. Com isso, pode-se pensar em realizar o plantio direto (sem arar o solo), como é feito com os cereais. Para reduzir os danos às soqueiras e as perdas no campo, pretende-se mexer o mínimo possível com a cana antes de ser cortada. O sistema direto, inclusive, é uma das vertentes do projeto, segundo o coordenador, Oscar Braunbeck diretor agrícola do CTBE. A ideia é que a máquina também efetue o plantio mecanizado de precisão com redução da quantidade de mudas.

A colhedora é um equipamento com aproximadamente o dobro da capacidade de colheita que as convencionais (1.600 toneladas por dia), sendo que o investimento inicial segue a mesma proporção de R$ 1,6 milhão. Os principais resultados obtidos até o momento, como destaca Braunbeck, estão relacionados com o processo de colheita, que deu origem ao depósito de duas patentes e representa a base para uma tecnologia focada na colheita integral, ou seja cana e palha; na redução das perdas de matéria-prima na colheita e na redução do consumo de combustível e custo operacional.

A iniciativa tem como parceiros a empresa Jacto, a usina Da Pedra, de Serrana (SP), e a Embrapa. Recebe apoio ainda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 16 milhões. Em quatro anos, o equipamento tem que estar testado e funcionando, pronto para ganhar o mercado. Para tanto, “uma segunda fase de ensaios e aprimoramentos será desenvolvida durante a safra do ano 2012, com as frentes de colheita montada sem trator. A terceira fase, a de avaliação final, será desenvolvida com as frentes montadas na ETC durante as safras de 2013 e 2014”, acrescenta o diretor agrícola.

Ao trafegar por terrenos íngremes, a ETC deve apresentar melhor desempenho se comparada aos equipamentos tradicionas. A primeira versão consegue se manter estável em locais com até 19% de declividade, enquanto as colhedoras atuais conseguem entrar em terrenos com declives de até 12%. O equipamento proposto, de custo acessível aos pequenos fornecedores de cana, caracteriza-se como um implemento que é acoplado ao trator já existente nas pequenas propriedades agrícolas, sendo composto essencialmente por um chassi, uma unidade de corte e
alimentação, uma unidade de limpeza e uma carreta de armazenamento.


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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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