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16|02|2012 - 16h17Esforço conjunto na pesquisa brasileira em etanol

Crédito: Luis Sousa/CTBE.
Tadeu Andrade, do CTC, apresenta o programa de melhoramento genético de cana da instituição
Tadeu Andrade, do CTC, apresenta o programa de melhoramento genético de cana da instituição.

Diretorias de CTBE, CTC, Embrapa, IAC e Ridesa se reúnem para discutir agenda de pesquisa e possibilidades de cooperação

Inúmeros obstáculos científicos e tecnológicos dificultam o aumento significativo da produção brasileira de etanol. Gargalos estes que exigem ações conjuntas de profissionais de diferentes áreas e expertises para serem superados. Diante deste cenário, cinco dos maiores institutos de pesquisa do País planejam unir forças para acelerar a inovação no setor sucroenergético.

Um workshop institucional foi realizado no último dia 14 no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE), em Campinas-SP. Participaram do evento gestores do CTBE, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RIDESA). Cada instituição trouxe para o debate o seu arcabouço atual de pesquisa e as oportunidades para trabalhos conjuntos.

Durante a sua apresentação, o diretor do CTBE Marco Aurélio Pinheiro Lima informou que o desenvolvimento de processos para o etanol de segunda geração e as novas técnicas de mecanização e manejo agrícola são áreas em que o Laboratório busca parceiros em potenciais. O mesmo vale para estudos sobre o aproveitamento agrícola e industrial da palha de cana, a criação e o compartilhamento de dados para análises de sustentabilidade e a modelagem matemática para a simulação de tecnologias para a cadeia produtiva do etanol.

Na sequência, O CTC apresentou seu novo Plano Estratégico que visa dobrar a taxa de inovação no setor nos próximos anos. O Centro, que em 2010 se tornou uma Sociedade Anônima (S.A.), realinhou sua estrutura organizacional, concentrando esforços em áreas tecnológicas de maior interesses aos usineiros, como o melhoramento genético de variedades e o desenvolvimento da tecnologia de produção de etanol de segunda geração.

Segundo o CEO do CTC José Gustavo Teixeira Leite, a complexidade do material genético da cana tem impedido o setor de usufruir dos benefícios da biotecnologia. “Isso reduziu drasticamente a tão propagada vantagem competitiva da planta nos últimos anos, em comparação aos seus concorrentes. Ou trazemos algum avanço biotecnológico para a cana, ou acabaremos plantando milho”, provocou Leite.

Outra novidade apresentada foi o CTC Ventures, uma espécie de incubador de tecnologias para a segunda geração de etanol. Segundo o CEO do Centro, cada projeto se tornará uma empresa e só será mantido se for auto-sustentável. Com uma metodologia mais tradicional de fazer ciência, o IAC trouxe seu respeitável trabalho em melhoramento genético clássico, sem uso de engenharia genética, que atualmente investiga novas variedades resistentes a pragas e condições extremas, como pouca água e alta temperatura. O Instituto é uma referência brasileira nos estudos de manejo de pragas e maturação da cana-de-açúcar.

A Embrapa é outra empresa que passa por um período de reestruturação. Tanto o Plano Nacional de Agroenergia quanto o Plano Diretor da unidade de mesmo nome expiraram em 2011 e estão em processo de renovação. A notícia boa, segundo o chefe-geral da Embrapa Agroenergia Manoel Teixeira Souza Júnior, é que a infraestrutura laboratorial da unidade está em fase final de implantação, fato que potencializa os estudos da empresa em temas como a biologia energética.

Já a Ridesa, desenvolvedora das variedades de cana mais utilizadas nos últimos 40 anos, trouxe ao debate sua história vencedora de melhoramento genético clássico. Segundo um dos coordenadores da Rede Hermann Hoffmann, esta sempre foi e continuará a ser a área central de atuação da RIDESA que conta atualmente com 10 universidades federais, cada uma em um estado diferente da federação.

Ficou acertado ao final do evento que, uma vez expostas as competências, prioridades de investigação e interesses de estudos conjuntos, será criado um documento até o final do mês de fevereiro com os temas de pesquisa que uma instituição gostaria de trabalhar em cooperação com cada uma das demais, a fim de formalizar tais parcerias.


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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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