English

Notícias

Notícias

23|03|2012 - 10h15Campo Maquinado

Mecanização da colheita avança e máquinas ampliam presença no plantio

Revista Alcoolbrás, em 03/2012

Nos canaviais do Mato Grosso do Sul, o índice de mecanização da colheita é de 84%. Em Minas Gerais, já alcançou 79%. No Mato Grosso superou 60%. Em São Paulo, segundo levantamento da Secretaria do Meio Ambiente as usinas mecanizaram 70,3% e os fornecedores 21,1% das áreas colhidas na safra 2010/2011 - os dados da safra 2011/2012 ainda não foram fechados pela Secretaria. No Paraná, a mecanização atinge 35% dos canaviais, puxada pelas regiões onde houve expansão e não há mão-de-obra disponível.

Mesmo nos Estados do Nordeste, onde a declividade acentuada dos canaviais dificulta a entrada das máquinas, a mecanização da colheita já é observada com maior intensidade nas regiões planas do Rio Grande do Norte, Tabuleiros costeiros da Paraíba e nos tabuleiros férteis de Alagoas.

No Centro-Sul, os maiores índices de mecanização acabam mesmo sendo registrados pelas usinas e por grandes produtores. "Na maioria dos Estados onde estão se instalando as novas usinas o índice de mecanização é muito alto", destaca o representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Sergio Prado.

A mecanização transformou o cultivo tradicional - e não apenas pela necessidade de qualificação profissional: a entrada das máquinas exigiu mudanças no espaçamento das linhas do canavial e a palha que fica no campo gerou novas demandas de aproveitamento.
Há, no entanto, desafios para elevar esses percentuais - não só porque os pequenos produtores têm fôlego mais curto para investir em máquinas, implementos e mão de obra especializada, mas porque existem gargalos que limitam a performance da colheita.

"Precisamos que as máquinas sejam menos dependente da ação do operador, reduzam as perdas e o consumo de combustíveis", aponta o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul, Ismael Perina.

As máquinas que estão saindo hoje nas linhas de montagem já contemplam parte dessas evoluções - como controle eletrônico da altura do corte de base, monitoramento através de telemetria, sistemas de ventilação e limpeza que consomem menos combustível o consumo, e estão preparadas até para terrenos que apresentam declividade superior a 12%. Proporcionalmente, a produtividade aumenta significativamente. Por outro lado, o esforço em ofertar máquinas mais potentes significou mais agressão á soqueira e aos colmos.

No plantio, o índice de mecanização é ainda pequeno quando comparado com a colheita, onde até agora esteve centrado o maior esforço - em São Paulo, que ainda responde por duas de cada três toneladas de cana no país, a mecanização da colheita tem avançado de forma acelerada por conta do protocolo agroambiental assinado em 2008, que determina a extinção gradativa da prática da queima até 2017. No Paraná, o Plano Agroambiental desenvolvido em parceria com o Governo do Estado, prevê que até 2015 20% dos canaviais deixem de ser queimados. Ismael Perina lembra que os grandes produtores conseguem atingir índices bem próximos dos 100% no plantio mecanizado ou semimecanizado - em que um trator trabalha em conjunto com uma plantadora.

No MS, por exemplo, o índice de mecanização no plantio da cana é de 70% da área - que na ultima safra foi de 95 mil hectares da área de renovação. E no MT mecanizado representou 10% da área na safra 2011/2012 - algo em tomo de 20 mil hectares, segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalco-oleiras - Sindalcool/MT. A questão crucial nesta etapa reside na regra que diz que "uma boa colheita inicia-se com um bom plantio": só com preparo de solo, sistematização e variedades adequados será possível ter um canavial conveniente para as co-lheitadeiras. "Temos um avanço gigantesco com o plantio com GPS: o plantio é feito e deixa um mapa para a colheita", observa Sergio Prado.

A agricultura de precisão, com suas ferramentas de determinação por sensoreamento e de posicionamento georreferenciais é uma realidade cada vez mais presente, com maior amostragem de pontos que indicam as propriedades do solo e as necessidades de fertilizantes, além do diagnóstico fornecido na colheita. Sem contar que o georrefe-renciamento por GPS, os sensores dosadores de in-sumos e a padronização abrangendo todas as operações proporciona a maximização do rendimento operacional e do retomo sobre o investimento. A mecanização do plantio, no entanto, ainda requer pesquisa e desenvolvimento com objetivo de melhorar a qualidade do trabalho no campo e reduzir os custos associados, principalmente no que se refere à colheitadeira de mudas, plantadoras e sistema logístico para o transporte das mudas.

As novidades estão aparecendo em plantadoras e distribuidores de cana picada que proporcionam também a cobertura dos sulcos de plantio e de dispositivos de auxilio direcional que garantem maior precisão no paralelismo das linhas de plantio, facilitando a colheita e reduzindo o pisoteio na linha de plantio. O Centro de Tecnologia Canavieira estuda, em parceria com a Usina São Martinho, uma plantadora que permite a distribuição de torta de filtro no sulco, e com a DMB uma plantadora de toletes.

Na última Fenasucro/Agrocana a Santal apresentou o protótipo de uma nova plantadora de cana-de-açúcar que se adapta aos diversos tipos de espaçamentos dos canaviais. Outro diferencial da máquina é que ela é modular e pode ser utilizada no plantio totalmente mecanizado ou somente como distribuidora de mudas. A máquina estará disponível para esta safra 2012/2013.

No início deste ano, a AGCO - que já detém as marcas Valtra e Massey Ferguson - anunciou a compra de 60% da Santal - única empresa a oferecer um sistema completo de mecanização agrícola para as lavouras, com plantadora de cana picada, colheitadeira e veículos de transbordo - por US$ 31 milhões. No segmento de colheitadeiras de cana-de-açúcar, dominado por Case e John Deere, a Santal detém 3% de mercado e dispõe de duas versões de máquinas, uma com tração por pneus e outra por esteira.

O desafio de aumentar os índices

Segundo Ismael Perina, a maior preocupação é mecanizar a colheita de pequenos e médios produtores - que respondem por uma de cada quatro toneladas de cana colhidas. Entre as alternativas estudadas estão a formação de consórcios para aquisição de máquinas e também taxas diferenciadas de financiamento, com base na vantagem ambiental proporcionada pela mecanização do canavial.

Há, no entanto, problemas de ordem técnica a serem resolvidos também na colheita: muitas usinas registram perdas porque as máquinas ou não cortam a cana rente ao solo ou carregam impurezas - principalmente quando a regulagem da plataforma de corte é uma função que cabe ao operador. Além disso, nem todas as usinas estão preparadas para lidar com o volume maior de terra e palha trazidas do campo. No ano passado o Instituto Agronômico - IAC apresentou um sistema com lâminas serrilhadas e corte por deslizamento para diminuir perdas na colheita mecanizada.

Usinas testam colheitadeiras no Nordeste

Por conta da topografia declivosa, a mecanização na região Nordeste é limitada ao uso de tratores de médio ou grande porte na aplicação de herbicidas para erradicação das soqueiras, gradagem e sulcagem dos terrenos. Na colheita, apenas as colheitadeiras montadas em tratores para enchimento de caminhões e a carregadeira Bell para o tombo de cana nas encostas são utilizadas.

"Somente verificamos uma maior intensificação, mas mesmo assim insignificante, nas regiões planas do Rio Grande do Norte, Tabuleiros costeiros da Paraíba e nos tabuleiros férteis do estado de Alagoas onde nestes casos podemos acompanhar a presença de um número maior de colheitadeiras convencionais semelhantes às usadas no centro sul do Brasil", explica o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana, Alexandre Andrade Lima.

Testes com colheitadeiras para topografia declivosa - até 75% de declividade - já são observados nas regiões mais tradicionais. No entanto, alguns ajustes ainda são necessários para que elas possam se tomar economicamente viáveis. Oito usinas estão desenvolvendo um ancinho que embola a cana nas encostas - o que está revolucionando a colheita na região de Pernambuco: a usina JB já corta com este ancinho 10% da sua moagem. O custo do anchinho, que começou a ser evoluído nessa safra, está em tomo de R$ 5.000, e a tonelada de cana cortada sai por R$ 6.o corte por impacto pelo corte por deslizamento que reduziria de 3,4% para 0,2% a quantidade de soqueiras arrancadas. Além de reduzir a produtividade, o dano na soqueira facilita o ataque de pragas - outro vilão da queda da produtividade.

Só que uma solução uniformizada não atende as especificidades de cada usina - Ismael Perina lembra que algumas usinas estão mais equipadas para lidar com volume de palhas, por exemplo, e não haveria a necessidade de gastar mais com comedoras mais avançadas.

O Programa Agrícola do CTBE estuda o desenvolvimento de uma Estrutura de Tráfego Controlado - ETC, que atue do plantio à colheita de forma mecanizada, com um contato mínimo com o terreno - nesse caso as rodas do equipamento percorrem trilhas permanentes, espaçadas nove metros umas das outras, evitando o pisoteamento e a compactação do solo. Na colheita, a máquina levanta o colmo, corta a base, pica a cana e transfere para o transbordo.

Outro problema comum está na velocidade de limpeza dos extratores - o que aumenta o consumo de combustível. Esse promete ser o próximo ponto de desenvolvimento dos modelos lançados a partir deste ano. A Case IH, por exemplo, trabalha no desenvolvimento do Smart Cruise, uma ferramenta para ajuste automático da rotação que promete economia de até 26% no consumo.

Dos lançamentos mais recentes, as máquinas da Case IH já trazem o controle automático de altura do corte de base - batizado de Auto Tracker, o sistema possui referência de altura e pressão, que garante uma maior velocidade de resposta em relação às irregularidades da área - além de novo sistema de arrefecimento constituído por um pacote de radiadores na parte superior da colhedora que minimiza o contato com impurezas, o novo picador Extremer Chopper e a introdução da tecnologia de agricultura de precisão Advanced Farmming Systems - AFS. Um kit de estabilidade introduzido nas máquinas de esteira - modelo A8800 - aumenta de 15% para 20% a declividade em que podem operar. A empresa também aposta na colhedora A4000 para atender as necessidades de pequenos e médios fornecedores de cana - que cultivam a cana em espaçamento reduzido, de até um metro.

A empresa assinou no início do ano um acordo de cooperação técnica e intelectual com o Grupo São Martinho, que tem por objetivo desenvolver tecnologias para o cultivo da cana. A Usina São Martinho, localizada em Pradópolis /SR ampliará a utilização de tratores, colhedoras, pulverizadores, plantadoras, transporte, equipamentos de agricultura de precisão, telemetria e controle de frota da Case IH - o desempenho das máquinas será acompanhado pelos técnicos da Case IH, que estará à disposição para a troca de informações e o desenvolvimento de novas tecnologias direcionadas às necessidades encontradas no campo.

Já a John Deere apostou na colheita com uma rotação reduzida - o sistema FieldCruise associado ao motor permite economia de combustível - e sistema de arrefecimento mais eficiente, com ventilador reversível. Outra inovação, introduzida no modelo 3520, é o ajuste de inclinação interno dos divisores de linhas - que permite melhor operação em cana tombada.

O diferencial da colhedora S5010, da Santal, é o kit mudas, que transforma a máquina para colheita de muda ou colheita industrial. "Nossos projetos continuam contemplando a melhoria nos produtos existentes e o desenvolvimento de novas soluções para o setor, uma vez que aumento da produção, as novas variedades, os custos, as novas técnicas de cultivo e muitos outros fatores envolvidos em toda cadeia produtiva provocam nos fabricantes de máquinas e equipamentos esta necessidade de evolução", ressalta o gerente de marketing e produtos da Santal, Marco Gobesso.

As novidades não se restringem às plantadoras e colheitadeiras: os tratores da série MF 7100, da Massey Ferguson, ganhou uma versão canavieira com eixo com bitola de três metros - que evita o pisoteio das soqueiras, causando um menor dano a lavoura.

A própria John Deere incorporou novos modelos - 7195J e 7210J - à série J de tratores, usados no plantio e o transbordo de cana. Os motores dos dois novos modelos utilizam o sistema de Injeção Eletrônica sob Alta Pressão - HPCR, e passam a ter eixo heavy duty como item de série, para garantir maior resistência e maior peso máximo lastrado, garantindo maior capacidade de tração de implementos. Outra novidade é a disponibilidade de bomba hidráulica de 174 litros por minuto, para maior potência hidráulica.

O pulverizador BS 3020H, da Valtra, está disponível com chassi Flex Frame, que permitirá uma aplicação mais precisa de defensivos nas lavouras e mantém a máquina sempre tra-cionada em qualquer tipo de terreno. O controlador de pulverização que equipa o BS 3020H possui GPS integrado e permite o gerenciamento das funções de aplicação.

A Valtra centrou seus desenvolvimentos no conceito de Sistema de Operações Integradas - a implantação de programas que permitem o planejamento das operações para concentrar a passagem de má quinas e implementos em determinada área, utilizando o mesmo rastro, integrando todas as operações na lavoura e reduzindo a compactação do solo que pode chegar a 86% para 14%. Com o Agcommand, sistema de telemetria que permite a facilitação do gerenciamento das máquinas pela transferência de dados automaticamente da máquina para o escritório, é possível ter um monitoramento detalhado para estabelecer exatamente onde uma máquina está em um determinado momento, como está o desempenho e qual a eficiência operacional.

Até mesmo a palhada que fica no campo após a colheita ganhou o desenvolvimento de um maquinário para permitir seu enfardamento: uma máquina enfardadeira da palhada vem sendo desenvolvida pela Case e deve estar disponível já este ano. A Valtra está trazendo dos EUA uma enfardadeira de feno, forragem e biomassa - a Challenger LB34B - que gera fardos de 400 kg.

O professor Aloísio Bianchini, do Laboratório de Máquinas Agrícolas e Motores da Universidade Federal de Mato Grosso, ressalta que o manejo adequado do sistema máquina-solo pode minimizar o impacto no ambiente agrícola e tornar o sistema produtivo e sustentável. "Do contrário, práticas mecanizadas ou não, se utilizadas sem critério e de maneira inadvertida podem levar à depauperação dos solos, principalmente de suas propriedades físicas e microbiológicas".

Neste caso, o uso de variedades mais produtivas ou maior quantidade de agroquímicos conseguem apenas manter a produtividade dos campos de produção - e como o que ocorre, via de regra, é um declínio, todo esse esforço para manter a produtividade aumenta os custos de produção, e o aumento na produção só é possível pelo acréscimo da área plantada.

A mecanização sustentável é definida pelo professor como o conjunto de práticas agrícolas envolvendo o uso de máquinas e que tem por finalidade manter elevados os índices de produtividade, com custos aceitáveis e baixo impacto no ambiente. Para Bianchini a colheita mecanizada de cana crua, permitindo que o solo permanecesse coberto com o palhiço, traz benefícios para o sistema - como reduções na evapotranspiração e na amplitude térmica do solo, além de permitir a reciclagem de nutrientes e a supressão de plantas invasoras. No entanto, a colheita mecanizada exige modificações no sistema de produção, pois o cultivo da soqueira fica muito mais difícil e, a distribuição de fertilizantes a lanço e o não cultivo do solo são práticas que caminham na contramão da mecanização sustentável.

Mecanização Sustentável

Por outro lado, a presença do palhiço traz outros problemas, como a dificuldade de re-brota de alguns materiais genéticos e aumento na incidência de pragas, como a cigarrinho.

"Este tipo de problema já foi enfrentado e superado, em outras culturas, como no Sistema Plantio Direto na Palha, praticado por um sem número de agricultores que produzem grão. O importante é termos em mente que os benefícios são maiores que as dificuldades e que os gargalos do sistema podem ser superados com criatividade e investimento em pesquisa", defende o professor.

O cultivo da soqueira de cana, envolvendo a escarificação e deposição localizada do adubo no interior do solo sem que o palhiço cause empecilho, já é possível: o uso de cultivadores com discos de corte especiais permite o corte eficiente do palhiço, possibilitando essa escarificação, ou subsolagem, na entre-fileira de plantas com deposição do fertilizante no interior do solo. Esta prática permite à soqueira desenvolver um sistema radicular mais profundo tornando a planta menos susceptível a períodos de seca, como vem ocorrendo nos últimos anos. O custo desta tarefa, embora maior que a distribuição do fertilizante à lanço, vai de encontro ao princípio da mecanização sustentável.

"A mecanização sustentável é perfeitamente aplicável no cultivo da cana-de-açúcar. Para tanto é preciso envolver no sistema produtivo o monitoramento do solo, principalmente de suas propriedades físicas e a adoção de práticas menos impactantes ou que minimizam os efeitos do intenso tráfego de máquinas nos canaviais", finaliza Bianchini.

BNDES lidera R$ 4 bilhões para expansão e renovação dos canaviais

As primeiras notícias da entressaíra apontam para uma renovação próxima dos 20% nos canaviais da região Centro Sul. Mesmo antes dos números finais serem consolidados, já é possível notar uma guinada em relação ás duas últimas safras - em que o índice de renovação esteve próxima de 8%, elevando a idade média dos canaviais para 3,6 anos.

"O ideal seria um índice mais alto, porque temos esse passivo. Mas não dá para reformar todo o canavial em um ano, porque não teríamos cana na safra seguinte", avalia Ismael Perina.

A expectativa da Unica é que a área plantada cresça pouco mais de 4% na safra 2012/2013. A boa combinação da chuva com dias ensolarados também favoreceu o cultivo da cana na região - não só a brotação e o desenvolvimento das plantas, mas também o plantio que será feito até abril, um cenário também diferente da safra passada, que sofreu pela estiagem e pelas geadas.

O engenheiro agrônomo José Alencar Magro ressalta que as variações climáticas são necessárias ao cultivo da cana - umidade no solo para brotar e solo seco para concentrar a sacarose. E muita chuva no plantio e na colheita para não prejudicar os trabalhos de campo.

"E necessário que o produtor da cana esteja preparado para tirar proveito das variações climáticas pontuais, que algumas vezes podem prejudicar alguma fase da cultura".
Mas a noticia mais importante foi a criação de uma linha de financiamento do BNDES para expansão e renovação dos canaviais.

O objetivo do Prorenova, como foi batizado o programa, é aumentar a produtividade da lavoura brasileira de cana-de-açúcar e, assim, reduzir a ociosidade industrial da produção de açúcar e etanol. A ideia do governo é que os recursos possam financiar a renovação ou ampliação de mais de um milhão de hectares de cana-de-açúcar.

"Temos 150 milhões de toneladas de capacidade industrial ociosa, que podem ser processadas com as usinas que já existem. Portanto, ao colocar essa linha, o Governo foi sensível á questão da oferta de matéria-prima", avalia Sérgio Prado.

Os R$ 4 bilhões do Prorenova irão atender a usinas e grandes produtores que tenham renda igual ou superior a R$ 90 milhões. O programa tem vigência até 31 de dezembro deste ano - o prazo do plantio pode estender-se até 18 meses, sendo que o prazo total de plantio e amortização do financiamento é de 72 meses. A participação do Prorenova é de até 80% sobre os investimentos - o custo financeiro anual é de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, de 6% ao ano), mais 1,3% de remuneração básica do BNDES e taxa de repasse de 0,5%, além do spread do agente financeiro, que é acertado entre o beneficiário e a instituição. O banco também autorizou os agentes financeiros a aceitarem o penhor da cana como garantia.

Hoje, é possível financiar o plantio de cana por meio do produto BNDES Automático, com limites de R$ 10 milhões para grandes empresas e R$ 20 milhões para as demais. Em 2011, o banco financiou 67 operações, com RS 92.233 mil - somados as linhas BNDES Automático e outros programas de investimento.

Ismael Perina lembra que o financiamento só será efetivo quando vier acompanhado de uma política para os combustíveis. Além disso, a cana precisa recuperar a rentabilidade perdida nos últimos anos. "Financiamento não é o único problema que temos. Tem outro problema que é a dificuldade para esse recurso chegar: o agente financeiro exige garantias que muitos produtores não têm".


Notícias relacionadas

Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

Integra o Centro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) | Campinas-SP
Telefone: +55 (19) 3512-1010 | Fax: +55 (19) 3518-3104