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15|06|2012 - 13h58CTBE lança livro sobre sustentabilidade da bioenergia

Crédito: Christiane Telles/CGEE.

Obra reúne resultados de dois anos de estudos sobre temas ligados à área estratégica para a conferência Rio+20

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançaram na última segunda-feira (11/6) o livro “Sustainability of Sugarcane Bioenergy” (Sustentabilidade da Bioenergia da Cana-de-açúcar, na tradução para o português). O lançamento ocorreu durante a semana de eventos preparatórios para a Rio+20 organizada pelo CGEE na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio e contou com apresentações de diversos autores da obra.

A publicação é resultado de dois anos de estudos (2008-2009), realizados no âmbito do Global Bioenergy Partnership (GBEP) e coordenados pelo CGEE, que teve como parceiros o CTBE, o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (NIPE/Unicamp) e outras instituições. Dezessete capítulos abordam temas ligados à cadeia produtiva da bioenergia da cana-de-açúcar, uso da terra e sistemas integrados de produção, indicadores e certificações de sustentabilidades e, análise de ciclo de vida e balanços de energia e de gases de efeito estufa (GEE).

Dentre os destaques da obra está um estudo coordenado por Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) que analisou as vantagens para a sustentabilidade da cadeia produtiva da cana ao se utilizar biocombustíveis no lugar de diesel nos processos agrícolas e de transporte da biomassa. De acordo com Nogueira, cerca de 40% do total de energia fóssil utilizada na produção de etanol é consumida no campo. Se o diesel for substituído por biocombustíveis é possível mitigar 60% dos GEE gerados no processo. Além disso, se as máquinas agrícolas e caminhões rodassem com 100% biodiesel proveniente de óleo de palma, cada unidade equivalente de energia fóssil consumida durante a produção de etanol geraria 15 unidades de energia renovável. Hoje essa proporção é de um para nove. No caso do etanol de milho norte americano não passa de um para 1,3.
 



Editor Marcelo Poppe, do CGEE, comenta sobre as pesquisas que integram publicação com foco na Rio+20
 

O pesquisador do CTBE e da Unicamp, Paulo Graziano, avaliou aspectos relacionados à engenharia das máquinas agrícolas utilizadas no cultivo de cana e o modo como isso impacta a sustentabilidade do setor. As colheitadeiras e implementos utilizados atualmente nos canaviais foram criados na Austrália na década de 1950, a partir de adaptações de maquinários empregados em culturas de cereais. Um dos resultados disso é certa ineficiência que leva a perdas de cerca de 10% de biomassa durante a colheita da cana.

Graziano contou que o CTBE está desenvolvendo um novo conceito da máquina para a cultura de cana-de-açúcar. Em parceria com o BNDES e a Jacto Máquinas Agrícolas S.A., o Laboratório desenvolve uma Estrutura de Tráfego Controlado (ETC). O novo equipamento reduzirá as perdas de material durante a colheita, assim como a compactação do solo, o que contribuirá para a preservação dos nutrientes da terra e a diminuição dos riscos de erosão. O projeto está em fase de testes de protótipos de implementos.

Já o estudo liderado por Luís Augusto Barbosa Cortez, da Unicamp, mostra que é possível intercalar áreas de pastagens subutilizadas pela pecuária com a produção de cana, de forma a melhorar o manejo do gado e o balanço econômico da atividade. Outro trabalho, coordenado por Andrés da Silva, da EACEA, trata sobre o aproveitamento de resíduos da cadeia produtiva da bioenergia de cana, como torta de filtro e CO2 gerado nas dornas de fermentação de etanol, para o crescimento de mudas de árvores para reflorestamento ou hortaliças em estufas localizadas em áreas vizinhas às usinas. Além de ampliar receitas e propiciar um crescimento mais acelerado dessas plantas, tal ambiente de trabalho mais ameno que o canavial permite a ampliação da força de trabalho composta por mulheres e pessoas com deficiência física no setor sucroenergético.

A versão eletrônica da obra pode ser baixada no site do CGEE (Clique aqui para obter uma cópia).


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Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

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