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01|07|2009 - 10h17Acordo trabalhista reduz críticas ao etanol, diz Lula

Segundo presidente, compromisso de trabalhadores e usineiros resolve 'motivos usados contra nós'. Fonte: O Estado de S. Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 25, que o termo de
compromisso assinado entre trabalhadores da cana-de-açúcar, usineiros e governo, para
melhorar as condições de trabalho do setor, vai ajudar a diminuir as críticas que são feitas no
exterior à produção brasileira de etanol. Segundo o presidente, o acordo tem entre outros
objetivos, "resolver essas coisas que eram motivos usados contra nós no exterior".

Ele contou que até trabalhadores do setor de cana-de-açúcar chegaram a ser levados para
outros países para criticar o setor sucroalcooleiro. Lula contou, sem dar nomes, que, certa vez,
recebeu uma autoridade estrangeira que disse que o trabalho de corte da cana era muito
penoso. "Eu respondi que sabia que era um trabalho duro, mas melhor que o trabalho em uma
mina de carvão, que foi o que transformou o país dele (da autoridade estrangeira) em uma
potência", disse.

Lula, que se autodefiniu como "garoto propaganda" do etanol no mundo, disse que, há décadas
atrás, os trabalhadores e os donos das usinas eram "inimigos de classe, sem sequer se
conhecer". Ele ressaltou que, nos últimos anos, começou a haver uma aproximação entre
sindicalistas, o PT e os usineiros e deu como exemplo o mandato do atual deputado Antonio
Palocci como prefeito de Ribeirão Preto (SP), que ajudou nesse diálogo.

O presidente comparou os usineiros aos evangélicos, afirmando que todos os políticos querem
os votos de ambos, mas têm vergonha disso. Segundo o presidente da União da Agroindústria
Canavieira de São Paulo (Única), Marcos Jank, o compromisso assinado hoje prevê a adoção
de "50 práticas empresariais exemplares" no tratamento dos operários. Um dos principais
compromissos assumidos pelas 303 usinas que assinaram o acordo foi a adoção da
contratação direta dos trabalhadores que atuam no plantio e no corte da cana, eliminando
assim a figura do intermediário, conhecido como "gato". Jank também reconheceu que esse
compromisso de melhores práticas "ajudará a aprovar a sustentabilidade do etanol brasileiro".

A assinatura do acordo, realizada no Palácio do Buriti, em Brasília, foi marcado por momentos
de bom humor. O presidente Lula recebeu um facão de cortar cana de presente de
trabalhadores e, ao posar para a foto com o objeto, disse, sorridente, que aquilo não poderia
ser interpretado como um objeto de violência, mas de paz e trabalho. Depois, Lula recebeu
uma cesta com alguns produtos fabricados a partir da cana. Ele retirou da cesta o pacote de
rapadura, mostrou-o aos repórteres e disse: "Isso é rapadura, é doce, mas não é mole".

Ao fim do evento, Lula ainda recebeu um bilhete das mãos do lavrador Antônio Carlos, no qual
o operário dizia ao presidente que também era boxeador e campeão do Pontal do
Paranapanema. O "pugilista" aproveitou a deixa para pedir patrocínio do governo. Lula disse
que ia passar o contato dele para o ministério dos Esportes e perguntou se ele era campeão do
Pontal por ter vencido o líder sem-terra José Rainha. "Que é bem pequeno", brincou Lula. O
presidente ainda brincou que já foi treinador de boxe, mas que deixou a atividade porque
achava aquilo "excessivamente violento".


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