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Não é fácil fazer ciência no Brasil. O que o digam os executivos do recém-criado Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas. O instituto, instalado no mesmo campus do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, está procurando pesquisadores altamente qualificados para trabalhar, entre outras coisas, no desenvolvimento do etanol de segunda geração - o biocombustível feito a partir do bagaço da cana.
Mas não está nada fácil encontrar esse batalhão de cientistas. As exigências explicam a dificuldade no preenchimento das vagas. O CTBE procura químicos, físicos, biólogos, bioquímicos e engenheiros de materiais com pós-doutorado e com experiência em algum centro internacional. Ou seja, gente com perfil extremamente especializado para trabalhar com a tecnologia do futuro em etanol no país. "Embora o Brasil tenha uma história de sucesso no setor sucroalcooleiro, o país nunca criou uma agenda científica nessa área", diz Marco Aurélio Lima, diretor do centro. Portanto, não houve o incentivo necessário (nem estatal, nem privado) para a formação de pesquisadores, especialmente na área de ciência básica.
Outra dificuldade para o CTBE é salarial. O contracheque para um pesquisador iniciante é de 7.500 reais (um bom salário em termos de Brasil, mas muito baixo para um cargo que exige quase 10 anos de estudo depois da graduação). Na busca por pessoas, o centro de pesquisa colocou um anúncio nos classificados de empregos do site da revista Nature, uma das principais publicações da comunidade científica. O anúncio atraiu a atenção de brasileiros expatriados e de alguns estrangeiros, a maioria asiáticos. Os currículos ainda estão sendo analisados, mas o diretor do CTBE não tem ilusões de conseguir preencher - não no curto prazo - todas as vagas que dispõe. "Estamos atrás de talentos nessa área", diz Lima, que já contratou três cientistas.