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05|08|2009 - 12h24Modernização do campo exige preparo profissional

Setor está cada vez mais carente de mão de obra especializada

Fonte: Correio Popular

Na última década, muita coisa mudou no agronegócio, especialmente no Interior do Estado de São Paulo. Novas tecnologias, práticas, tendências e legislações provocaram uma reviravolta no setor. A figura do velho matuto do campo deu lugar à imagem do profissional pós-graduado e especialista em agrobusiness. Mas essas novas exigências ainda não foram assimiladas pela maior parte dos novos profissionais e, por isso, existe uma grande demanda de capital humano qualificado na área.

“Vivemos um novo momento no agronegócio, em que houve uma automatização gigantesca e o surgimento de novas necessidades. Hoje, o setor precisa de profissionais com boa formação. Não mais alguém que saiba usar uma enxada, mas que opere uma pá hidráulica, por exemplo”, resume o coordenador dos cursos de MBA e gestão empresarial do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), Fabiano Belatti. Uma das pós-graduações oferecidas pela instituição é justamente o MBA em gestão do agronegócio.

Para ele, o profissional do agronegócio precisa ir além das técnicas operacionais e ter um conhecimento bastante amplo para ser bem-sucedido. “É preciso entender de política, economia, bolsa de valores, mercado de futuros, embalagem e legislação. Passamos de um estágio de não complexidade campestre para alta complexidade manufatureira”, pondera.

Belatti enfatiza que dominar esses conceitos já é essencial para a sobrevivência do agronegócio, até porque é preciso acompanhar as exigências do mercado externo. “Nossa agropecuária é essencialmente exportadora e, por isso, a profissionalização é fundamental. Hoje, só exporta carne quem cria gado rastreado com chip, dá garantias da procedência e ainda depende da localização geográfica. Na agricultura, é preciso aprender a lidar com as diversas barreiras tarifárias e não tarifárias que são impostas pelos governos protecionistas”, assinala.

Até em função dessa nova conjuntura, a demanda maior é por profissionais que dominem os conceitos de agronomia assim como administração. “O campo está precisando de gente que domine finanças, que veja a fazenda como negócio agrário e não apenas como trabalho rural.”

Experiência

Quem recruta profissionais com frequência para trabalhar na área, conhece bem a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para atender às exigências desses tempos. O empresário Valter Bonezi Júnior, responsável pelo escritório de gerenciamento de projetos em agronegócios, afirma que apenas dois em cada dez currículos que recebe apresentam um mínimo de qualificação para preencher uma vaga. “A todo momento estou recrutando profissionais para atuar em projetos para empresas de agronegócios e sempre encontro grande dificuldade”, aponta.

De acordo com ele, o mais importante é que o candidato tenha não só um bom conhecimento teórico, mas também uma boa vivência prática do trabalho rural. “É muito raro encontrar um profissional que alie tanto a linguagem do campo como a de projetos. Quem possui esses atributos e traz resultados é muito valorizado pelo mercado”, atesta.

O produtor Rolf Zornig, proprietário da Bromélias Rio, empresa campineira que cultiva e exporta bromélias e orquídeas, gerencia 180 funcionários e confirma essa dificuldade. “Nossa região não tem uma grande oferta de profissionais para o setor. Acho que deixamos de ter tradição nessa área”, explica.


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